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Colaboração: Rubens Queiroz de Almeida
Data de Publicação: 29 de julho de 2026
Uma plataforma de backup pode apresentar uma arquitetura sólida, boa capacidade de armazenamento e uma interface de administração eficiente, mas seu valor real depende dos sistemas que consegue proteger. As organizações atuais mantêm dados em bancos relacionais, máquinas virtuais, serviços em nuvem, diretórios de usuários, servidores de arquivos e aplicações desenvolvidas ao longo de várias décadas. Cada uma dessas tecnologias possui características próprias, e uma simples cópia de arquivos raramente oferece todas as garantias necessárias para uma recuperação confiável.
É justamente nesse ponto que os plugins se destacam como um dos diferenciais mais importantes do NGBackup. Eles permitem que a plataforma compreenda a estrutura e o funcionamento de cada carga de trabalho, aplicando procedimentos específicos de backup e restauração. Em vez de tratar um banco de dados Oracle, uma máquina virtual do Proxmox e uma conta do Microsoft 365 como conjuntos genéricos de arquivos, o sistema utiliza módulos especializados para conversar com as APIs, os mecanismos de snapshot e as ferramentas nativas de cada ambiente.
A documentação do NGBackup organiza os plugins em cinco grupos: bancos de dados, virtualização e nuvem, aplicações e correio eletrônico, arquivos e infraestrutura, além de recuperação e segurança. Atualmente, são relacionados 21 plugins dedicados à proteção de cargas de trabalho. A plataforma também apresenta três módulos complementares voltados à restauração granular, à detecção de ransomware e à deduplicação global. (1)
Imagine que os arquivos de um banco de dados sejam copiados enquanto diversas transações ainda estão sendo processadas. Alguns arquivos podem refletir o estado das 10h05, enquanto outros correspondem às 10h06. Individualmente, todos foram copiados sem erros, mas o conjunto resultante pode estar inconsistente. Quando chegar o momento de restaurá-lo, o banco talvez não consiga iniciar ou poderá exigir uma recuperação manual complexa.
Um plugin especializado coordena a operação com o próprio banco de dados. Ele utiliza mecanismos como logs de transações, checkpoints, snapshots e ferramentas nativas para produzir uma cópia logicamente consistente. O mesmo princípio se aplica a máquinas virtuais, serviços de diretório e plataformas de correio eletrônico. O plugin conhece os objetos protegidos, identifica suas dependências e oferece opções de restauração adequadas à aplicação.
Essa integração também aumenta a granularidade. Uma cópia convencional pode obrigar o administrador a restaurar uma máquina virtual inteira para recuperar um único arquivo. Com um plugin apropriado, torna-se possível navegar pelo conteúdo da imagem e selecionar somente o item desejado. Em um banco de dados, pode-se recuperar uma instância completa ou retornar a um ponto específico no tempo. No Microsoft 365, a restauração pode chegar a uma mensagem, um contato ou um documento individual.
Os plugins do NGBackup são escritos em Rust e integrados ao mesmo mecanismo utilizado pelo restante da plataforma. De acordo com a documentação do projeto, isso evita a dependência de coleções de scripts externos em Shell, Python ou PowerShell, que muitas vezes possuem requisitos, versões e formas de tratamento de erros diferentes. A padronização facilita o monitoramento, a distribuição e a manutenção dos módulos.
O grupo mais numeroso é o de bancos de dados. O NGBackup oferece módulos para Oracle Database, SAP HANA, Microsoft SQL Server, PostgreSQL, MySQL e MariaDB, MongoDB, Firebird, Informix, ADABAS e Progress DB. Essa cobertura procura atender tanto a aplicações modernas quanto a sistemas corporativos antigos que ainda desempenham funções essenciais.
O plugin para Oracle integra-se ao RMAN, o mecanismo nativo de backup e recuperação do banco. Ele permite realizar cópias incrementais no nível de blocos, utilizar o rastreamento de alterações e efetuar recuperação para um ponto específico no tempo. Em vez de examinar repetidamente todo o banco, o RMAN pode identificar os blocos modificados desde a operação anterior. Isso reduz o volume de dados transferidos e encurta a janela de backup, especialmente em bases de grande porte. (2)
O módulo do Microsoft SQL Server oferece backups completos, diferenciais e incrementais, além de proteção dos logs de transações. Também consegue descobrir automaticamente os bancos presentes nas diferentes instâncias. A recuperação pontual permite retornar ao estado imediatamente anterior a uma exclusão acidental, uma atualização incorreta ou outro evento que tenha comprometido os dados. (3)
Para PostgreSQL, o NGBackup oferece integração destinada a cópias consistentes e recuperação por meio dos registros WAL, os arquivos nos quais o PostgreSQL registra as alterações realizadas nas bases. O plugin de MySQL e MariaDB segue uma proposta semelhante, com backup binário sem bloqueio prolongado, recuperação para um ponto no tempo e possibilidade de restaurar tabelas individualmente. Essas funcionalidades são importantes em servidores que precisam permanecer disponíveis durante a execução das cópias.
MongoDB exige cuidados próprios devido à sua arquitetura orientada a documentos, à replicação e à distribuição dos dados entre vários nós. Firebird, Informix, ADABAS e Progress DB também apresentam formatos e métodos de recuperação específicos. A presença desses plugins amplia o alcance do NGBackup em organizações que mantêm aplicações especializadas, sistemas industriais, plataformas governamentais e soluções de gestão desenvolvidas há muitos anos.
O suporte ao SAP HANA merece atenção especial por se tratar de um banco de dados em memória utilizado em ambientes corporativos de grande porte. Nesses casos, copiar diretamente os arquivos mantidos no armazenamento seria insuficiente. O processo precisa coordenar dados, logs e mecanismos internos do HANA para que a restauração resulte em uma base consistente.
A grande vantagem desse conjunto está na possibilidade de reunir bancos bastante diferentes sob uma mesma política administrativa. O operador pode definir agendamentos, períodos de retenção, destinos de armazenamento, criptografia e notificações em um painel central, enquanto cada plugin cuida dos detalhes específicos de sua plataforma.
O segundo grande grupo contempla VMware vSphere, Microsoft Hyper-V, Proxmox VE, Nutanix AHV e Apache CloudStack. Essa variedade ganha importância em um momento no qual muitas empresas estão revendo seus contratos de virtualização, migrando cargas de trabalho ou adotando ambientes híbridos com mais de um hipervisor.
No VMware vSphere, o plugin trabalha sem a instalação de um agente em cada máquina virtual e utiliza o CBT, sigla de Changed Block Tracking. Esse mecanismo informa quais blocos dos discos virtuais foram modificados desde o último backup. A operação incremental pode então transferir somente os blocos alterados. O módulo oferece recuperação completa da máquina, restauração de arquivos individuais, inicialização diretamente a partir do armazenamento de backup e conversão para outro hipervisor. (4)
O Microsoft Hyper-V possui um plugin próprio, integrado ao ambiente de virtualização da Microsoft e aos mecanismos necessários para criar cópias consistentes das máquinas Windows. O suporte ao Proxmox VE é particularmente relevante para empresas que adotaram ou pretendem adotar essa plataforma baseada em Linux, KVM e containers. Nutanix AHV e Apache CloudStack completam o conjunto, atendendo infraestruturas hiperconvergentes e nuvens privadas.
Uma das características mais interessantes aparece quando esses plugins trabalham em conjunto com o recurso V2V, abreviação de virtual to virtual. Uma máquina protegida em determinado hipervisor pode ser convertida e restaurada em outro. O sistema precisa adaptar o formato dos discos e gerar a configuração exigida pelo ambiente de destino, incluindo arquivos utilizados por Proxmox, libvirt, VMware e Hyper-V.
Essa capacidade transforma o backup em uma ferramenta de mobilidade. Se um ambiente VMware ficar indisponível, por exemplo, a organização poderá recuperar determinadas máquinas em Proxmox, Hyper-V, KVM, CloudStack ou Nutanix, desde que a infraestrutura de destino esteja preparada e seja compatível. O recurso também pode auxiliar em projetos de migração, testes de continuidade e redução da dependência de um único fornecedor.
É importante observar que uma conversão V2V exige planejamento. Diferenças de drivers, firmware, controladores de disco, configuração de rede e recursos disponíveis no hipervisor de destino podem afetar o resultado. A existência do plugin automatiza grande parte do processo, mas os testes periódicos de restauração continuam sendo indispensáveis.
Muitas organizações acreditam que os dados mantidos em serviços de nuvem já estão completamente protegidos pelo provedor. A alta disponibilidade do serviço, entretanto, possui finalidade diferente da manutenção de cópias independentes. Exclusões acidentais, contas comprometidas, alterações maliciosas e exigências de retenção podem justificar uma camada adicional de backup.
O plugin para Microsoft 365 protege Exchange Online, OneDrive, SharePoint, Teams, calendários e contatos. A restauração pode ser realizada no nível de itens, permitindo recuperar uma mensagem, um arquivo, uma pasta ou outro objeto sem reconstruir toda a conta do usuário. A documentação também menciona recuperação da nuvem para outros destinos, o que contribui para manter uma cópia sob controle da própria organização. (5)
O suporte ao HCL Notes, anteriormente conhecido como Lotus Notes e IBM Notes, atende empresas que ainda dependem de bases, correio eletrônico e aplicações construídas sobre essa plataforma. Apesar de possuir uma longa história, o Notes permanece presente em ambientes corporativos nos quais aplicações fundamentais foram desenvolvidas ao longo de décadas. Um plugin dedicado reconhece a estrutura dessas bases e possibilita uma proteção mais consistente do que a simples cópia de seus arquivos.
O plugin para Active Directory e LDAP protege um dos componentes mais sensíveis da infraestrutura: o serviço que mantém usuários, grupos, permissões, computadores e outras informações de identidade. A perda ou corrupção desse diretório pode impedir o acesso a praticamente todos os recursos da organização. A restauração granular permite recuperar objetos específicos, enquanto uma recuperação mais ampla pode reconstruir o serviço após um incidente grave.
O plugin SFTP permite proteger dados acessíveis por meio desse protocolo, inclusive em servidores nos quais não seja possível instalar o agente completo do NGBackup. Essa possibilidade é útil para equipamentos de rede, servidores hospedados por terceiros, sistemas Unix antigos e outros ambientes que ofereçam acesso seguro aos arquivos por SSH.
O BRC, módulo de replicação de arquivos, destina-se à manutenção de cópias em outros servidores ou localidades. A replicação complementa o backup ao reduzir o tempo necessário para disponibilizar grandes volumes de dados após uma falha. Ainda assim, ela precisa ser associada a políticas de retenção e versionamento, pois uma exclusão ou corrupção pode ser reproduzida no destino se não houver mecanismos adequados de proteção.
O plugin de HPC atende ambientes de computação de alto desempenho, nos quais milhares ou milhões de arquivos podem ser processados em sistemas paralelos e clusters de grande porte. Nesses cenários, o desafio envolve desempenho, paralelismo e capacidade de movimentar dados em alta velocidade sem transformar o backup em um gargalo para as aplicações científicas ou industriais.
Entre os módulos complementares, o Granular Restore ocupa uma posição central. Ele permite abrir o sistema de arquivos existente dentro da imagem de uma máquina virtual e navegar por sua árvore de diretórios. A documentação menciona suporte a convidados com ext2, ext3, ext4 e NTFS. O administrador seleciona os arquivos desejados e o mecanismo acessa somente os blocos necessários, evitando a reconstituição integral de uma imagem que pode possuir vários terabytes.
O mesmo mecanismo oferece Instant Recovery. A máquina virtual pode ser inicializada diretamente a partir do repositório de backup por meio de protocolos como NBD, iSCSI, NFS Datastore ou SMB-VHDX. Enquanto ela volta a prestar seus serviços, os dados podem ser migrados em segundo plano para o armazenamento definitivo. Essa abordagem reduz o tempo de indisponibilidade, pois a organização não precisa esperar a cópia completa de todos os discos para iniciar a máquina.
Segundo a documentação, a migração em segundo plano pode utilizar tecnologias como Storage vMotion, `qm migrate` e `virsh blockcopy`, dependendo da plataforma envolvida. O módulo também converte formatos de disco e gera a configuração nativa necessária para o hipervisor de destino. (6)
O Ransomware Sentinel monitora alterações no sistema de arquivos em tempo real. Ele observa fatores como entropia dos dados, grande quantidade de renomeações em um intervalo curto, extensões suspeitas e proporção de conteúdo alterado. A elevação da entropia pode indicar que os arquivos estão sendo transformados em dados aparentemente aleatórios, comportamento comum durante processos de criptografia.
Quando uma atividade suspeita é detectada, o módulo pode executar ações configuradas pelo administrador, como emitir um alerta ou interromper uma operação. A documentação informa a existência de nove respostas configuráveis. O objetivo é perceber o ataque em seus estágios iniciais e impedir que a alteração se espalhe ou que os dados comprometidos substituam versões confiáveis.
O módulo também inclui um acelerador para backups incrementais em Linux. Ao registrar previamente os arquivos modificados, ele pode evitar a varredura completa da árvore de diretórios durante cada operação. O fabricante anuncia incrementais até três vezes mais rápidos em determinados cenários. Como todo número de desempenho, o resultado efetivo dependerá da quantidade de arquivos, do armazenamento e do padrão de alterações do ambiente. (7)
A detecção integrada acrescenta uma camada importante de defesa, mas precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla. Cópias imutáveis, credenciais separadas, autenticação forte, segmentação de rede, retenção adequada e testes de restauração continuam sendo necessários para enfrentar um ataque real.
O plugin de deduplicação global procura reduzir o espaço ocupado pelos backups ao identificar blocos repetidos em diferentes arquivos, clientes e tarefas. O NGBackup emprega divisão de conteúdo baseada em FastCDC, mantém o índice de referências em RocksDB e utiliza filtros de Bloom para reduzir acessos desnecessários ao índice em disco.
A deduplicação pode ocorrer tanto na origem quanto no servidor de armazenamento. Quando executada na origem, blocos que já existem no repositório não precisam ser novamente transferidos pela rede. Quando realizada no destino, o servidor de armazenamento elimina as repetições antes de gravar os dados definitivamente. As duas modalidades utilizam o mesmo formato de armazenamento.
O fabricante menciona taxas acima de 60 para 1 em cargas reais e afirma que os resultados aumentam com períodos longos de retenção. Esses valores devem ser considerados exemplos fornecidos pelo desenvolvedor, pois a eficiência varia amplamente. Conjuntos com máquinas virtuais semelhantes, cópias frequentes e muitos arquivos repetidos costumam apresentar excelentes resultados. Vídeos, arquivos compactados e dados criptografados oferecem menos oportunidades de deduplicação.
O módulo também inclui verificação por CRC, rotinas de limpeza, reparação automática e métricas para Prometheus. O protocolo empregado na comunicação utiliza HKDF-SHA256 e ChaCha20-Poly1305 para proteger os dados transferidos entre os componentes. (8)
O aspecto mais importante dos plugins do NGBackup está na combinação de amplitude e especialização. A mesma plataforma pode proteger uma base Oracle, um cluster PostgreSQL, máquinas virtuais do VMware e do Proxmox, contas do Microsoft 365, um Active Directory e servidores acessíveis por SFTP. Cada carga recebe o tratamento apropriado, enquanto agendamento, retenção, armazenamento, criptografia, monitoramento e catálogo permanecem centralizados.
Essa arquitetura também facilita a evolução da solução. Novos plugins podem ser acrescentados à medida que surgem tecnologias ou necessidades específicas. Como os módulos são integrados ao mecanismo escrito em Rust, eles compartilham uma base comum de administração, registro de eventos e tratamento de erros.
O catálogo atual é amplo, especialmente para uma plataforma lançada recentemente, embora a quantidade de plugins nunca deva ser o único critério de escolha. Antes de adotar qualquer solução de backup, a organização precisa verificar as versões suportadas, os recursos disponíveis em cada edição, os requisitos de licenciamento e a compatibilidade com suas aplicações. Também deve executar provas de conceito com volumes e condições semelhantes aos encontrados no ambiente de produção.
Os plugins ajudam o NGBackup a ultrapassar a função de simples copiador de arquivos e assumir o papel de uma plataforma de proteção de dados. Sua proposta reúne backup consciente das aplicações, recuperação granular, restauração instantânea, conversão entre hipervisores, deduplicação e reação a comportamentos associados a ransomware. Quando esses recursos são devidamente configurados e testados, a organização ganha algo muito mais valioso do que um conjunto de cópias: ganha caminhos concretos para voltar a operar depois de uma falha.