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Colaboração à Distância

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 11 de Maio de 2011

Em 2009 Fred Brooks Jr., autor de O Mítico Homem-Mês foi palestrante na Latinoware onde apresentou a seção II de seu novo livro O Projeto do Projeto, da modelagem à realização. O nome da seção do livro, o mesmo que Brooks deu à apresentação, é "Colaboração e Telecolaboração", onde ele fala do desafio de se manter a integridade conceitual em um projeto que é tocado por muitas mãos a partir de vários lugares distintos. Independente de todas as facilidades tecnológicas, Brooks fala que, em qualquer projeto, o tempo presencial, face a face, entre os seus membros é crucial.

Lembrei-me desta parte do livro do Brooks ao ler, agora, uma análise de 23 páginas da Forrester Consulting feita sob encomenda da Citrix Online na segunda metade de 2010 com o título "Fazendo a Colaboração Funcionar para a Força de Trabalho Distribuída do Século 21". A análise tomou por base uma pesquisa com quase 800 profissionais de informática dos Estados Unidos, Europa e Austrália, além de entrevistas mais aprofundadas com pessoas responsáveis pelas estratégias de comunicação de suas empresas. Resultado? A comunicação presencial, face a face, é a forma mais efetiva de colaboração. Além disso, a maioria dos profissionais ainda usam formas tradicionais de comunicação, como o email e o telefone, para manter o contato com os colegas que não estão no mesmo local físico.

Ao mesmo tempo em que o estudo mostra a importância dos encontros presenciais ele constata que, de fato, as pessoas que colaboram em projetos de tecnologia passam cada vez menos tempo juntas, especialmente em projetos de colaboração internacional. O trabalho em casa é algo que já é comum. Surpreendi-me com o número de mais de 50% de pessoas passam mais tempo trabalhando em casa do que no escritório de suas empresas. Como fazer, então, que estas pessoas mantenham a sintonia necessária para um trabalho consistente em um projeto? Como manter a tal da integridade conceitual sobre a qual o Brooks tanto fala?

Seria justo pensar que, já que as reuniões presenciais são tão importantes, ferramentas que estabelecem uma presença virtual das pessoas através de videoconferências fossem mais utilizadas. Mas isto não é o que ocorre segundo a pesquisa. Consideradas ao lado de email, telefone e mesmo reuniões presenciais, qualquer outro tipo de tecnologia de telecolaboração praticamente desaparece da estatística.

Claro que ainda há questões de disponibilidade de tecnologias de videoconferência para todos, mas pensando-se em quanto tempo ferramentas como o Skype disponibilizam chamadas em vídeo e como já é relativamente trivial a implementação de um servidor OpenMeeting, eu esperaria um destaque maior de ferramentas deste tipo na pesquisa. Os mesmos entrevistados que consideram de grande importância as reuniões presenciais (mais de 70%) acham que as ferramentas de videoconferência ainda deixam a desejar.

Por outro lado, observando o próprio uso em nossas atividades aqui na empresa eu vejo que é muito mais comum usarmos mesmo o email. O que eu vejo aumentar é o uso da capacidade de discussão em documentos desenvolvidos colaborativamente no Google Docs e a ferramenta de comunicação por vídeo, também fornecida pelo próprio Google, fica quieta ali no cantinho. Qual será a razão disto? Os pesquisadores chegaram a desconfiar que pudesse ser algo relacionado à faixa etária dos entrevistados mas constataram que esta resistência é independente da idade.

A tecnologia para videoconferências em 3D está avançando e, em não muito tempo, poderemos ter reunidas em uma sala pessoas reais e a imagem holográfica perfeita de pessoas que estão à quilômetros de distância. Será que aí seremos menos resistentes com relação a isto ou ainda teremos aquela impressão de que está faltando alguma coisa?

Por enquanto, é muito interessante constatar que formas de comunicação onde a falta de alguma coisa é evidente e assumida (como em emails, mensagens instantâneas e chamadas telefônicas) o desconforto é menor do que em situações onde esta falta tenta ser suprida (a imagem do interlocutor que interage conosco). Será que isto é fruto de ainda estarmos acostumados demais ao fato de que no cinema e na TV as pessoas nas telas não interagem conosco? Será que agora nos incomodamos com a imagem de alguém, em uma tela, conversando diretamente com a gente? Eu não sei, mas gostaria de saber o que mais gente pensa.

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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