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Singular, meu caro Watson

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 21 de Março de 2011

Quando se trata de lógica e uso de conhecimento acumulado nós, formas de vida de base carbônica, perdemos de lavada para nossos companheiros de silício. Faz tempo! Mestre Kasparov perdeu no xadrez para o Deep Blue da IBM e, mais recentemente, foi uma nova máquina da empresa, o Watson, que ganhou um milhão no jogo de perguntas e respostas Jeopardy.

Eu que não sou nenhum Kasparov também consigo perder no GnuChess. O Google ganha de mim tanto apresentando as capitais brasileiras quanto apresentando receitas de brownies de marijuana. Perder para computadores é fácil há muito tempo.

Agora, mostra para um computador uma música qualquer do Chico Buarque. Sugiro Você, você, a canção edipiana. Pede pra ele fazer outra no mesmo nível. Se não for agora, se for em mais alguns anos, é só esperar pra ouvir uma música à altura, ou até melhor.

Recentemente reassisti pela enésima vez Star Trek, The Motion Picture. Os detratores chamam o filme de Star Trek, The Slow-Motion Picture. O filme toma como ponto de partida o que teria acontecido com as sondas espaciais Voyager, lançadas pela NASA no final dos anos 70 que, ultrapassando o sistema solar, continuariam capturando informações do espaço ao seu redor. Uma destas sondas (a de número seis, nunca lançada oficialmente) teria caído em um buraco negro e chegado a um planeta dominado por máquinas, que a aparelharam para voltar ao seu criador. Mas, para conquistar a possibilidade de pensar como seu criador, ela deveria unir-se a ele. Assim, a gostosíssima, e careca, tenente Ilea (Persis Khambata), possuída pela proto-inteligência da Voyager 6, uniu-se ao capitão copo d'água Will Decker (Stephen Collins), que representava todos nós, seres de base carbônica.

Toda a vez que penso no começo da vida em nosso planeta, em uma descarga elétrica caindo em um caldo inorgânico que fez com que uma molécula besta adquirisse a capacidade de se duplicar, eu acho que faz todo o sentido a teoria da singularidade tecnológica. No filme Tron Legacy, formas não programadas por humanos surgem espontaneamente dentro da rede de computadores e programas, os ISOs, algoritmos isomórficos. Ou seja, da mesma forma que a vida na terra surgiu do acaso de uma descarga elétrica, uma nova inteligência pode brotar da internet mais ou menos do mesmo jeito. Por que não?

Eu olho com desconfiança para a minha geladeira em dias de tempestade...

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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