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Há algo errado com a "First Life"?

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 17 de Maio de 2007

Mais de seis milhões de pessoas habitam as ilhas virtuais do Second Life, gastando diariamente mais de um milhão de dólares bastante reais. O sucesso é tanto que já foi criado um mundo virtual apenas para menores de 18 anos. Ao contrário da vida real, o Second Life separa os adultos das crianças, teoricamente protegendo-as dos riscos da interação com os mais velhos na Internet. O convite para um adolescente ingressar no Teen Second Life é tentador: "O Teen Second Life é uma comunidade cheia de possibilidades. Um lugar onde você tem a possibilidade de fazer quase tudo o que imagina dentro de um mundo em constante expansão, criado por seus residentes. Encontre personagens complexos e atraentes e explore com eles a experiência do Second Life".

Bacana! Não conseguimos dar a devida segurança aos menores na Internet e então os confinamos em um mundo à parte! Taí uma idéia para a vida real: transformar uma parte do mundo em uma espécie de colégio interno, mas sem professores, guardiões, nada. Só uma comunidade cheia de possibilidades onde "quase" tudo é permitido. Nem nos preocupemos em definir este "quase", as crianças que se virem e não venham incomodar o nosso mundo!

Não sei exatamente quando certas coisas aconteceram na história da humanidade, mas acho que desde que um ancestral troglodita tomou algum suco de fruta que já fermentava há algum tempo, ou comeu um cogumelo meio diferente, é que começamos a buscar experiências que nos davam um barato diferente daqueles que a vida real, normalmente, nos proporcionava. Lá pelos anos 60, as experiências psicodélicas, especialmente com o LSD, fizeram com que as pessoas abrissem as "portas da percepção" e com isto percebessem realidades alternativas onde sons tinham cor, era possível conversar com objetos e até ser um objeto, ou Deus.

Em 1990, li na Isaac Asimov Magazine um conto chamado "Mr. Boy", de James Patrick Kelly. Mr. Boy era um garoto que havia sido "stunted", modificado artificialmente para ser, psicologicamente, um eterno adolescente. A mãe de Mr. Boy, pessoa normalíssima, assumiu fisicamente a forma de uma réplica da estátua da liberdade. No mundo de Mr. Boy a realidade era esta. Todos eram o que queriam e podiam ser pelo simples fato disto ser possível.

Junte os avanços da engenharia genética, da integração homem-máquina, das drogas de alteração da percepção e _voila_! Realidade pra quê? O mundo virtual é tão cheio de possibilidades e personagens complexos e atraentes! Melhor ainda: nós mesmos podemos ser personagens complexos e atraentes! Acho que a Matrix deve ter começado assim...

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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