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SCRUM e Planejamento Estratégico - Parte 2

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 22 de Fevereiro de 2007

Antes de começar este segundo artigo sobre " SCRUM e Planejamento Estratégico", quero dizer que estes textos não têm a mínima pretensão de servir como um guia para conduzir um processo de planejamento e muito menos de cobrir todos os aspectos do mesmo. Eles são apenas um relato "prático", um registro do estudo do SCRUM e da possibilidade de seu uso como ferramenta de apoio em tal processo. Todos os planejamentos, nos quais estou envolvido, estão em andamento há alguns anos e meu estudo do SCRUM visa dinamizar a continuidade dos mesmos. Para não deixar esta série de artigos pela metade, porém, vou imaginar um planejamento estratégico a partir de seu momento inicial.

Voltemos ao general Erwin Rommel: "A melhor estratégia é um fracasso se não é possível a sua execução tática", e lembremos também de Alice no País das Maravilhas: "Alice encontra um gato e pergunta: Como posso sair daqui? O gato responde: Isso depende muito de para onde você quer ir. Alice explica: Não quero ir para lugar nenhum. Apenas, sair daqui. O gato retruca: Se você não vai para lugar nenhum, qualquer direção serve."

Para podermos definir nossa estratégia e então as táticas para atingí-la, devemos ter consciência do que somos e o que somos capazes ou não de fazer para atingir nossos objetivos. Suponhamos que Alice saiba para onde ir, imaginemos um diálogo diferente entre ela e o gato:

"Alice encontra um gato e pergunta: Como posso chegar à toca do coelho? O gato responde: Isso depende muito do que você está disposta a fazer para que eu lhe diga como chegar lá. Alice responde: O que eu deveria fazer para ter esta resposta? O gato retruca: Você deve matar sete ratos e trazê-los ainda frescos para mim."

Alice havia jurado para si mesma que nunca mataria nenhum animal. Feriria ela os seus princípios para obter do gato a informação? Ou manteria-se fiel a seus princípios e buscaria a informação de alguma outra forma?

Em um Planejamento Estratégico, a definição dos princípios é extremamente importante. Ela estabelece os pilares do "caráter" da empresa. Os princípios jamais serão feridos, independente da razão que possa tentar a empresa a comprometê-los. Tipicamente são definidos por palavras simples mas fortes, carregadas de sentido: Liberdade, Inovação, Cooperação, Democracia. Se necessário, no exercício do planejamento estratégico, estas palavras podem ser definidas e interpretadas, sempre de comum acordo com todos os participantes. Os princípios da empresa devem ser também parte integral dos princípios de cada indivíduo que dela participa. Como o SCRUM pode nos ajudar a definir estes princípios?

Quem leu meus artigos anteriores (ou já conhece o SCRUM) já sabe a função do ScrumMaster: remover obstáculos. Aqueles que tiveram a curiosidade de seguir os links que forneci ao final do meu artigo anterior, e que já tiveram alguma experiência com planejamento estratégico, muito provavelmente captaram o ponto onde quero chegar. Não vou traduzir ou repetir tudo o que está naquelas apresentações, apenas aproveitar as idéias para a seqüência deste nosso exercício. Os leitores, provavelmente, observaram que ambas as apresentações não falam especificamente sobre o tema "planejamento estratégico", mas de uma forma ou outra o abordam em vários momentos.

O professor Pekka Abrahansson propõe em sua apresentação um formato de reunião que se dá em três dias: um para o planejamento, outro para a execução do que foi planejado e um último para a entrega do produto. No planejamento cria-se um "Product Backlog" que terá cada uma de suas tarefas definida, iniciada, concluída e verificada (o que pode ser feito com o acompanhamento de um "Sprint Backlog" simplificado. Vamos usar esta seqüência para dar início ao nosso próprio planejamento.

No primeiro dia, faremos uma reunião de nivelamento, conduzida por alguém que terá a função de ScrumMaster (idealmente, um ScrumMaster de verdade!). Nesta reunião serão apresentados todos os aspectos necessários ao nosso planejamento estratégico e será passada à equipe presente uma lista de tarefas a ser concluída até a próxima reunião, assim como as ferramentas necessárias para o acompanhamento de tais tarefas, para as quais será negociado o prazo devido e com o qual todos se comprometerão.

A primeira tarefa, como já deve estar claro, será a definição dos "princípios" da empresa. O ScrumMaster será bastante duro no questionamento dos mesmos e qualquer princípio que corra o risco de não ser seguido será sumariamente eliminado!

Na seqüência deste artigo falaremos mais sobre esta primeira reunião, a definição da visão e missão da empresa, qual será nossa estratégia, tática, e quais as tarefas a serem distribuídas à equipe de planejamento.

Até lá!

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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