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Oxigênio

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 22 de Agosto de 2006

Terminei de ditar este artigo para o Dicas-L ao meu H21 e pedi a ele que enviasse uma cópia à impressora do escritório da Brod Tecnologia e incluísse a versão original, falada, em meu podcast. Peço ao H21 que ligue para o Rubens Queiroz. Quero avisá-lo que o artigo está pronto e também discutir algumas novas funcionalidades para o portal Código Livre. O E21 da casa do Rubens responde-me que ele está em trânsito no momento e que também está em uma conferência com sua equipe da Unicamp e pergunta-me se é necessário avisá-lo imediatamente de minha chamada. Digo que não e adianto meu assunto a seu E21, pedindo que o Rubens fale comigo assim que puder. Entro no meu carro para dirigir-me a uma reunião com a Joice e a Janaína sobre alguns novos projetos do grupo Gnurias. Combinamos em um restaurante novo que ainda não conheço. O E21 de meu carro sabe desta reunião, mostra qual o caminho para chegar ao local e avisa-me: "A Janaína já se encontra no local e deixou um recado com a pauta da reunião. A Joice está a aproximadamente 5 minutos do local de encontro e já ouviu a pauta. Gostaria de ouvi-la agora?". Respondo que sim e começo a dirigir-me para o restaurante enquanto ouço a seleção de notícias de uma série de fontes previamente escolhidas e outras sugeridas pelo Oxygen. À medida em que ouço os lançamentos no Freshmeat, faço anotações ditadas como idéias para meus próximos artigos. Durante a leitura das notícias, o sistema avisa-me de um novo comentário enviado a meu último artigo para o Dicas-L e pergunta-me se quero ouví-lo agora.

No artigo da semana passada escrevi sobre o sistema operacional Plan9, centrado em processos, em oposição ao sistema Unix (e Linux), centrado em arquivos. Há algum tempo escrevi outro artigo sobre Computação para Humanos, que foi tema de uma palestra que ministrei no 2.o Fórum Gnome. Neste artigo falarei de um sistema centrado em pessoas: o projeto Oxygen do MIT.

A proposta do MIT com o Oxygen é uma computação pervasiva, centrada no ser humano. Patrocinado, dentre outras empresas, pela Acer, Nokia e HP, o Oxygen parte do princípio que a computação deve ser livremente acessível a todos e em qualquer lugar, como baterias, tomadas de energia elétrica e o ar que respiramos. Além disto, a tecnologia deve ser "pervasiva" ao contrário de "invasiva": Os meios de acesso à informação e poder computacional devem estar em tudo, cada um podendo acessar a totalidade de recursos disponíveis. Estes meios de acesso devem ser também "sensíveis", adequando-se ao ambiente e situações de uso e até interagindo e modificando o ambiente quando for o caso.

A arquitetura de hardware do Oxygen é composta de dispositivos móveis, os H21; dispositivos embarcados que estarão em casas, escritórios e automóveis, os E21; e a rede dinâmica e sem fio N21. Quem já teve a curiosidade de ir seguindo os links acima ao ler este texto, já viu que estamos falando de um futuro não tão distante assim. Na verdade, só o que é necessário para que o Oxygen seja uma realidade além dos protótipos é que seu custo caia o suficiente para que os dispositivos que o compõem sejam acessíveis ao público em geral. Os links neste texto vão mostrar protótipos, exemplos de aplicação e mesmo vídeos do projeto Oxygen que são de encher os olhos. Abaixo, tomo a liberdade de traduzir apenas um dentre os vários exemplos de aplicações que podem ser encontradas a partir da página principal do Oxygen.

Exemplo de aplicação: Anjo da Guarda

Jane e seu marido Tom vivem em um subúrbio de Boston e curtem sua independência. Já avançando em sua idade, eles adquiriram ao longo do tempo um bom número de aparelhos e dispositivos que conectam ao seu E21. Nunca mais perderam chamadas ou visitas por não chegarem ao telefone ou à porta à tempo: microfones e alto-falantes instalados nas paredes permitem que atendam às chamadas ou à campainha onde quer que estejam. Sensores e mecanismos no banheiro garantem, dentre outras coisas, que a banheira não transborde e que a temperatura da água esteja agradável. Uma base dinâmica de conhecimento analisa os programas de televisão que o casal gosta de assistir e os alerta sobre programas similares dos quais eles possam gostar.

Um pouco antes de seus filhos mudarem-se para outra região, Jane e Tom aprimoraram seu H21 para que ele pudesse ajudá-los ainda mais. Tom usa o sistema para exercitar sua memória perguntando a ele questões como "Já tomei meu remédio hoje?" ou "Onde coloquei meus óculos?". O sistema de visão do E21, usando câmeras nas paredes reconhece e armazena os padrões de movimento de Tom. Quando Tom visita seu médico, leva consigo os registros de seus exames anteriores para verificar se houve mudanças que poderiam indicar algum problema. Jane e Tom também configuraram o sistema de visão do E21 para que ele alerte uma equipe médica caso um deles caia quando estiver sozinho. Através destes serviços, o E21 garante paz de espírito para o casal e seus filhos.

Sobre o autor

Cesar Brod é empresário e consultor nos temas de inovação tecnológica, tecnologias livres, dados abertos e empreendedorismo. Sua empresa, a BrodTec, faz também trabalhos tradução e produção de conteúdo em inglês e português. Além de sua coluna, Cesar também contribui com dicas para o Dicas-L e mantém um blog com aleatoriedades e ousadias literárias. Você pode entrar em contato com ele através do formulário na página da BrodTec, onde você pode saber mais sobre os projetos da empresa.

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