Comunidades de Software Livre

Por Rubens Queiroz de Almeida

Data de Publicação: 29 de Maio de 2007

Quando eu comecei a usar a Internet e conhecer as comunidades de software livre, a primeira coisa que me impressionou foi a boa vontade extremada das pessoas, frequentemente no exterior, em ajudar os outros. Confesso que ficava constrangido quando enviava uma mensagem para a lista de usuários de equipamentos Sun, SunManagers e recebia respostas extremamente detalhadas. Eu acho que estas experiências foram as principais motivadoras para meu envolvimento em diversos projetos comunitários, como a Dicas-L, Contando Histórias e Aprendendo Inglês, Rau-Tu, Nou-Rau e mais alguns outros.

O que caracterizava estas comunidades, e diversas outras que vim a conhecer com o tempo, era a paixão pelas idéias, por descobrir coisas e por compartilhar conhecimento. Com o passar do tempo e com a popularização do software livre, as comunidades cresceram em número e em objetivos. Alguns grupos, extremamente políticos, se perdiam (e se perdem) em discussões intermináveis, muitas vezes agressivas, ofensas viajando velozmente de um lado para o outro. Depois de muita energia emocional despendida desta forma, a calma voltava por alguns dias, para então recomeçar o ciclo de ofensas e insultos. Neste meio, os desenvolvedores e voluntários de projetos de software livre, ficavam perdidos, sem saber o que fazer, pois não conseguiam expor as suas idéias ou mesmo conseguir apoio para seus projetos. Gradualmente se afastavam, pois não se sentiam bem em um meio pouco propício ao desenvolvimento de idéias.

Este ano recebi um grande presente. Fui convidado pelo Cláudio Ferreira Filho, coordenador do projeto BrOffice.org, a me juntar à lista eletrônica em que os voluntários brasileiros se reunem para discutir as ações de desenvolvimento do projeto nacional. A príncipio, evitei me manifestar na lista, para ver a dinâmica dos associados e entender seu funcionamento. Foi uma grande felicidade constatar, desde o início, o clima produtivo e construtivo das interações entre os membros, algo que me lembrou dos tempos longínquos em que me aventurei pela primeira vez na Internet. Finalmente, uma lista eletronica em que as pessoas constroem coisas, num dos projetos mais importantes do cenário mundial, o OpenOffice.org, a alternativa livre e gratuita à suite Office da Microsoft.

É inacreditável o que estas pessoas têm conseguido fazer, em muitos casos com grande sacrifício pessoal e idealismo. Além da tradução para o português do Brasil, compilação do pacote para diversas plataformas e um monte de outras coisas que eu ainda não conheço, o projeto lançou a revista BrOffice.org ZINE, já em seu segundo número. Eu colaboro com esta revista todos os meses, com um tutorial.

Qual o segredo para a criação de uma comunidade tão produtiva e amiga? Não sei, mas sem dúvida, o Cláudio tem um talento especial para conduzir estas comunidades e o sucesso do projeto BrOffice.org é uma prova viva desta habilidade.

O projeto BrOffice.org já realizou coisas admiráveis, mas ainda existe muito a ser feito. Você pode colaborar escrevendo dicas, juntando-se aos amigos do BrOffice, enviando para o projeto uma idéia genial (ou não) para ajudar a financiar o projeto. Se nenhuma das alternativas anteriores lhe agradar, você pode colaborar muito para o projeto simplesmente usando a suíte (download) e contando para os amigos.

Iniciativas como esta devem ser totalmente apoiadas. A melhor colaboração que você pode dar é exatamente do ramanho da sua disponibilidade. Sacrifique uma hora semanal dedicada ao show do Faustão e ajude a fazer a diferença, como a equipe do BrOffice.org tem feito. Você vai se sentir melhor associando-se a uma comunidade tão especial.

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